Torre Stark. Laboratório de P&D. 18:00.
Quando Natasha chegou ao laboratório, a cena que encontrou a fez parar na porta e sorrir, esquecendo por um momento o braço enfaixado e o pen drive que queimava em seu bolso.
O laboratório estava uma bagunça controlada. Havia marcas de chamuscado em uma das mesas, espuma de extintor no chão e música do AC/DC tocando no volume máximo.
No centro do caos, Emma estava usando óculos de proteção grandes demais para o rosto dela, segurando um controle remoto modificado. Ao lado dela, o robô Dum-E segurava o que parecia ser um lança-chamas caseiro.
Tony Stark estava sentado em cima de uma bancada, comendo mirtilos e gritando instruções.
— Mais para a esquerda, Pequena Aranha! O sensor térmico dele tem um delay de dois segundos!
— Entendi! — gritou Emma. Ela apertou um botão.
O robô disparou um jato de fogo azulado que acertou um manequim de testes em cheio.
— BULLSEYE! — comemorou Emma, dando um soquinho no ar.
— Isso! — Tony aplaudiu. — J.A.R.V.I.S., anote isso: a calibração manual de uma criança de onze anos é superior ao meu algoritmo de ontem à noite. Estou deprimido, mas impressionado.
— Tony — chamou Natasha, a voz cortando a música alta.
Tony e Emma se viraram.
— Nat! — Emma largou o controle (que Dum-E pegou imediatamente, parecendo triste por parar de brincar com fogo) e correu até a madrinha.
Ela parou abruptamente quando viu o braço enfaixado de Natasha sob a jaqueta. O sorriso dela vacilou.
— Você se machucou — disse Emma, acusadora, tocando levemente o tecido.
— Ossos do ofício — disse Natasha, beijando o topo da cabeça dela. — Estou bem. Foi só um arranhão. E vejo que você não explodiu a Torre.
— Quase — corrigiu Tony, caminhando até elas e limpando a graxa das mãos num pano de seda que provavelmente custava mais que o carro de muita gente. — Tivemos um pequeno incidente com o reator secundário e uma torradeira, mas nada que o seguro não cubra.
Tony olhou para Natasha. O sorriso brincalhão dele diminuiu um pouco quando ele viu a tensão nos ombros dela e o curativo. Ele era um gênio; ele sabia que "só um arranhão" na linguagem da Viúva Negra significava "quase morri".
— Você está horrível, Romanoff — disse Tony, sem rodeios. — No bom sentido. Tipo, "sobrevivente de apocalipse chique".
— Obrigada, Stark.
— A gente precisa conversar — disse Tony, o tom ficando sério por um segundo. — Sobre o que aconteceu no Lemurian Star. O Fury está agindo estranho. Bloqueou alguns níveis de acesso meus.
Natasha sustentou o olhar dele. Ela sabia que Tony estava farejando algo podre na S.H.I.E.L.D., assim como ela.
— Eu sei — disse ela, baixo. — Mas não agora.
Tony olhou para Emma, entendendo o recado.
— Certo. Não na frente da estagiária mirim.
— Assim que essa poeira baixar — prometeu Natasha, tentando soar leve —, eu venho aqui. Faço café. Trago aqueles bolinhos de mirtilo que você finge que não gosta, mas come cinco de uma vez.
Tony soltou uma risada genuína, a tensão quebrando.
— Eu nunca neguei gostar dos bolinhos. Eu nego a dependência emocional que tenho deles. É diferente. — Ele piscou para Emma. — Cuida dela, pirralha. Sua mãe tem o hábito feio de se jogar em cima de granadas.
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Daughter of No One
Fiksi PenggemarHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
