A primeira reação de Natasha não foi abraçá-lo. Foi trancar a porta.
Ela girou a chave na fechadura e acionou a trava de segurança com um clack seco e urgente, garantindo que Emma ou Hermione não entrassem ali por acidente.
Então, ela se virou para ele, e a Viúva Negra estava furiosa.
— Você perdeu o juízo? — ela sibilou, a voz baixa para não acordar a casa, mas carregada de veneno. Ela caminhou até ele, empurrando o peito dele com o dedo indicador, forçando-o a recuar um passo. — Você tem ideia do risco que acabou de correr?
James não recuou mais. Ele ficou parado, olhando para ela, deixando-a descarregar a adrenalina.
— "Escalar gárgulas"? "Janela destrancada"? — Natasha continuou, a raiva crescendo à medida que a realidade da situação a atingia. — James, eu tenho um dossiê na minha mesa, neste exato momento, com o seu rosto estampado na lista de prioridade máxima da Interpol!
Ela o empurrou de novo, mais forte dessa vez.
— Eu sou a Diretora de Operações! Se alguém te vê subindo pelas paredes do meu prédio... se um drone te pega, se um vizinho te vê... acabou! A minha carreira, a segurança da Emma, a sua liberdade... você jogou tudo pro alto para invadir o meu quarto no meio da noite?
Ela estava tremendo. Não de frio, mas da mistura aterrorizante de medo e alívio.
— Você está na minha lista de alvos, seu idiota! — ela sussurrou gritado, os olhos verdes faiscando. — Eu deveria estar enviando um esquadrão tático atrás de você, não trancando a porta para te esconder! O que você tem na cabeça? Metal enferrujado?
James ouviu tudo. Ele viu o pânico real nos olhos dela. Ele viu o quanto ela tinha a perder agora. E viu que, apesar de tudo isso, a primeira coisa que ela fez foi trancar a porta para protegê-lo, e não chamar a segurança.
Um sorriso lento, quase arrogante e incrivelmente terno, se espalhou pelo rosto dele.
Natasha viu o sorriso e isso a irritou ainda mais. — Você está rindo? Eu estou falando sério, James! Isso não é um jogo, isso é...
Ele não a deixou terminar.
James segurou o pulso da mão que o empurrava. Com a mão de metal, ele segurou a nuca dela, puxando-a para si com uma urgência que não aceitava recusas.
Ele calou a boca dela com um beijo.
Não foi um beijo suave de "oi". Foi um beijo de "cale a boca e sinta que eu estou aqui". Foi faminto, profundo e desesperado. Ele devorou a reclamação dela, engoliu a raiva e a transformou em calor.
Natasha tentou resistir por meio segundo. O cérebro dela gritava perigo, perigo, perigo. Mas o corpo dela... o corpo dela gritava finalmente.
Ela soltou um gemido abafado contra a boca dele e cedeu. As mãos dela, que antes o empurravam, agarraram a jaqueta dele, puxando-o para mais perto, fundindo-se a ele.
James a prensou contra a porta trancada, o corpo dele pesado e sólido, a âncora que ela não sabia que precisava até aquele momento. A barba dele arranhou o rosto dela, o cheiro dele invadiu os sentidos dela, expulsando o cheiro estéril do escritório e do medo.
Quando ele finalmente quebrou o beijo, ambos estavam ofegantes, as testas coladas, os corações batendo descompassados no pequeno espaço entre seus peitos.
Natasha abriu os olhos, ainda tonta, os lábios inchados e vermelhos. A raiva tinha evaporado, substituída por uma saudade dolorosa.
James passou o polegar no lábio inferior dela, os olhos azuis escuros de emoção.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
