Enfermaria de Hogwarts. Manhã de 29 de Maio.
O sol tentava entrar pelas janelas altas da enfermaria, mas o clima dentro do castelo era fúnebre. Harry, Rony e Emma estavam sentados ao redor da cama de Hermione. A cadeira de visitantes rangia sob o peso da tensão.
A escola estava prestes a fechar. Dumbledore tinha ido. Hagrid estava preso. E eles não tinham nenhuma pista nova.
— Eu queria que ela estivesse acordada — Rony murmurou, olhando para o rosto petrificado de Hermione. — Ela saberia o que fazer. Ela sempre sabe.
Emma estava em pé, braços cruzados, observando a amiga com aquele olhar analítico que deixava Rony nervoso. Ela não estava apenas olhando; estava escaneando.
— O que foi, Emma? — Harry perguntou, notando a intensidade da irmã.
— A mão dela — Emma apontou. — Olhem a mão direita.
A mão de Hermione estava fechada em um punho rígido sobre os lençóis. Mas não estava relaxada. Os dedos estavam contraídos com força, e algo branco aparecia entre eles.
— Ela está segurando alguma coisa — Emma disse.
Ela olhou para os lados para garantir que Madame Pomfrey não estava olhando e se inclinou. — Desculpa, Mione, isso vai doer um pouco — Emma sussurrou.
Ela tentou abrir os dedos de pedra da amiga. Era difícil. Hermione tinha segurado aquilo com a força do desespero final. Emma forçou um pouco mais, usando a técnica de alavanca, e conseguiu extrair um pedaço de papel amassado.
Harry e Rony se aproximaram, bloqueando a visão da porta.
Emma alisou o papel na colcha da cama. Era uma página arrancada de um livro muito velho da biblioteca.
— "De muitas feras e monstros medonhos que vagam pela nossa terra..." — Emma começou a ler em voz baixa, o coração acelerando a cada palavra. — "...não há nenhum mais curioso ou mais mortal do que o Basilisco, também conhecido como o Rei das Serpentes."
Rony soltou um arquejo. — Basilisco...
— Espera, tem mais — Emma continuou, os olhos correndo pelo texto. — "Essa serpente, que pode alcançar um tamanho gigantesco e viver centenas de anos, nasce de um ovo de galinha chocado por uma rã. Seus métodos de matar são os mais espantosos, pois além de suas presas venenosas, o Basilisco tem um olhar mortífero..."
Emma parou, sentindo um calafrio. — "...e todos que fixarem o olhar no brilho de seus olhos sofrerão morte instantânea."
— Morte instantânea... — Harry sussurrou. — Mas ninguém morreu. Ninguém olhou direto.
— O Colin viu através da câmera — Emma raciocinou rápido. — O Justino viu através do Nick Quase Sem Cabeça. A Sra. Norris viu o reflexo na água do chão inundado...
— E a Mione... — Rony apontou para a mesa de cabeceira. — Ela tinha o espelho.
— E aranhas fogem dele... — Harry leu o final da página. — "Aranhas fogem diante do Basilisco, pois é seu inimigo mortal."
— Aragog — Rony estremeceu. — As aranhas fugindo para a floresta! Tudo se encaixa!
— E o galo... — Emma apontou para o último parágrafo. — "O Basilisco foge apenas do canto do galo, que lhe é fatal."
— Os galos do Hagrid! — Harry exclamou, alto demais. Ele baixou a voz. — Alguém matou todos eles no começo do ano. O Herdeiro não queria nada que pudesse matar o monstro por perto.
— Mas como ele se move? — Rony perguntou, olhando ao redor. — Uma cobra gigante? Alguém teria visto rastejando pelos corredores. O castelo é enorme, mas não tanto.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
