Capitulo 28

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O sol da manhã invadiu o quarto de Nova York sem pedir licença, iluminando os lençóis desfeitos e dois super-humanos entrelaçados.
Natasha soltou uma risada alta e genuína, jogando a cabeça para trás.
— Você está falando sério? — perguntou ela, olhando para Steve, que estava com o cabelo loiro completamente bagunçado e uma expressão de inocência fingida.
— Estou dizendo que, tecnicamente, o soro não impede cãibras se você ficar pendurado no lustre — defendeu-se Steve, com um sorriso torto. — Eu só estou apontando uma falha tática na nossa... atividade.
Natasha riu de novo, empurrando o peito dele.
— Você é ridículo, Rogers.
Ela se sentou na cama, espreguiçando-se. O corpo doía de um jeito bom, uma exaustão prazerosa que nada tinha a ver com lutar contra alienígenas. Mas então, seus olhos caíram no relógio digital na mesa de cabeceira.
06:45.
O alarme interno de "mãe" disparou.
— Ok, soldado. Fora. — Natasha pulou da cama, pegando seu roupão de seda preto e amarrando-o rapidamente em volta do corpo nu. — A Emma acorda em quinze minutos. Se ela te vir aqui, eu vou ter que explicar coisas que não estou pronta para explicar.
Steve suspirou, um som dramático de quem queria ficar mais cinco minutos (ou cinco horas), mas sabia que ela tinha razão.
— Expulso antes do café. Que decadência para o Capitão América.
Ele se levantou, vestindo a boxer preta e catando as roupas espalhadas pelo chão com eficiência militar. Em trinta segundos, ele estava vestido, calçando as botas.
— Eu sou uma anfitriã terrível, eu sei — disse Natasha, guiando-o para fora do quarto.
Eles caminharam pelo corredor na ponta dos pés. O apartamento estava silencioso. A porta do quarto de Emma continuava fechada.
Na porta de entrada, Steve parou. Ele ajeitou a gola da jaqueta e olhou para Natasha. Não havia estranheza. Havia uma intimidade confortável, leve.
— Te vejo na base? — perguntou ele.
— Se o Fury não me der folga por salvar o mundo, sim. — Natasha sorriu, apoiando a mão no peito dele.
Steve inclinou-se e a beijou. Não foi um beijo faminto como os da madrugada, mas foi firme, quente e demorado o suficiente para fazer Natasha querer arrastá-lo de volta para dentro.
— Bom dia, Nat — sussurrou ele contra os lábios dela.
— Tchau, Steve.
Ele saiu, e Natasha trancou a porta silenciosamente, encostando a testa na madeira fria por um segundo, permitindo-se um sorriso bobo. Amigos com benefícios. Era uma ótima definição.
Ela se virou, pronta para correr para o banho.
E congelou.
Parada no meio do corredor, abraçada ao gato Bucky e esfregando um olho com o punho fechado, estava Emma. O cabelo ruivo estava uma juba indomável e o pijama xadrez estava torto.
Natasha sentiu o coração parar por um segundo. Há quanto tempo ela estava ali?
— Nat? — a voz de Emma estava rouca de sono. — Você voltou...
— Voltei, Little Red. — Natasha desencostou da porta, tentando parecer casual, apesar de estar usando apenas um roupão e ter o cabelo bagunçado. — Cheguei agora pouco.
Emma piscou, olhando para a porta trancada atrás de Natasha.
— Quem é que tava aqui? — perguntou ela, curiosa. — Eu ouvi vozes. E a porta batendo.
Natasha caminhou até ela, agindo rápido.
— Ah, foi... o entregador. — Mentira horrível, Romanoff. — Entregas da S.H.I.E.L.D. Coisas chatas de trabalho. Relatórios.
Ela parou na frente da filha e beijou o topo da cabeça dela, sentindo o cheiro de sono e criança. Natasha sabia que ela mesma cheirava a sexo, Steve Rogers e vodka cara. Ela precisava sair dali antes que o nariz apurado de Emma notasse.
— Escuta, eu preciso muito, muito tomar um banho. Eu estou imunda da missão — disse Natasha, dando um passo para trás em direção à sua suíte. — Por que você não vai pra sala?
— Posso ver TV? — perguntou Emma, os olhos brilhando com a possibilidade de desenho animado antes do café.
— Pode! — Natasha quase gritou, já entrando no corredor do seu quarto. — Pode ver TV! Pode ver o que quiser! Eu já volto pra fazer waffles!
Emma sorriu e correu para a sala com o gato, ligando a televisão gigante.
Natasha entrou no quarto, fechou a porta e soltou o ar, encostando-se na parede.
— Essa foi por pouco — sussurrou ela.
Ela olhou para a cama desfeita, sorriu com a lembrança da noite e correu para o chuveiro. Ela tinha exatamente dez minutos para tirar o cheiro do Capitão América da pele e voltar a ser apenas a mãe que faz waffles.

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora