Cabana de Hagrid. Noite de Sábado.
O calor dentro da cabana era sufocante, uma massa sólida e úmida que cheirava a madeira velha, pelos de cachorro e algo acre, como enxofre queimado. O fogo na lareira rugia com uma intensidade desnecessária para uma noite de primavera, fazendo o suor escorrer pelas têmporas de Harry e manchar o colarinho de Ron.
No centro da mesa de madeira bruta, iluminado pelas chamas dançantes, o ovo negro repousava. Ele não estava apenas parado; ele vibrava, emitindo um som baixo de clack-clack que parecia vir de ossos se quebrando lá dentro.
— Ele está quase saindo! — sussurrou Hagrid. Seus olhos, normalmente gentis, estavam arregalados com uma devoção maníaca. Ele roía as unhas grossas, ignorando o perigo.
Harry, Ron e Hermione estavam debruçados sobre a mesa, hipnotizados pelo milagre da vida mágica. Emma, no entanto, mantinha distância. Ela estava encostada na porta da cabana, os braços cruzados sobre a jaqueta de couro preta, os olhos verdes varrendo o ambiente como um radar.
— Hagrid — disse Emma, a voz cortando o ar abafado com frieza analítica. — Vamos revisar os fatos. Você mora em uma estrutura de madeira altamente inflamável. Está cercado por uma floresta seca. E está prestes a trazer ao mundo um lagarto armado com napalm biológico.
— Ele não é um lagarto, Emma! — protestou Hagrid, sem tirar os olhos do ovo. — É um Dragão Norueguês. Eu li tudo sobre eles. Só precisam de amor e...
CRACK.
O som foi alto como um tiro. Uma fissura irregular rasgou a casca negra. Pedaços voaram pela mesa.
E de dentro da ruína do ovo, uma criatura emergiu.
Não era fofinho. Era um pesadelo em miniatura. Asas de couro espinhoso, grandes demais para o corpo magro e retorcido; um focinho longo com narinas fumegantes; e olhos cor de laranja que não demonstravam confusão de recém-nascido, mas pura malevolência predatória.
O dragão espirrou. Um jato de faíscas alaranjadas voou, incendiando a ponta da barba hirsuta de Hagrid.
— Viu só? — disse Hagrid, apagando o fogo da própria cara com tapas felizes, ignorando o cheiro de cabelo queimado. — Ele conhece a mamãe!
— Ele tentou te incinerar — corrigiu Emma, desencostando da porta. — Hagrid, isso é uma violação de nível 5 do Código de Sigilo. Se o Ministério descobre, você vai para Azkaban. Se a gente for pego...
— Quem vai descobrir? — perguntou Ron, rindo nervosamente enquanto o dragão tentava morder seu dedo.
A resposta veio na forma de um som abafado do lado de fora. O som de uma bota esmagando grama seca.
Emma girou nos calcanhares instantaneamente. Ela viu, pela fresta da cortina xadrez, um rosto pálido e pontudo iluminado pela luz da lua, com olhos arregalados de triunfo malicioso.
— Malfoy — sibilou Harry, seguindo o olhar dela.
Draco Malfoy correu em direção ao castelo.
Emma já estava com a mão na maçaneta.
— Eu pego ele — disse ela, a voz desprovida de emoção. — Se eu cortar pelo canteiro de abóboras, intercepto ele antes das estufas. Um feitiço de memória rápido ou um soco bem dado e...
— Não! — Hermione agarrou o braço de Emma com força. — Emma, não! Se você for pega atacando um aluno fora da cama, seremos expulsos. A prioridade é o dragão.
Emma parou. Os músculos de seu braço estavam tensos sob o couro. Ela olhou para a porta, calculando as probabilidades, depois olhou para os amigos aterrorizados. Hermione tinha razão. A missão era a contenção de danos, não a eliminação do alvo.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
