Capítulo 177

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Cozinha da Cobertura. Véspera de Natal. 10:45 da Manhã.

A luz da manhã entrava pelas janelas da cozinha, iluminando a bancada de mármore onde o "QG de Crise" tinha sido montado. A crise médica parecia controlada, então a crise tática tinha voltado à pauta.

Natasha estava sentada em uma das banquetas altas, uma xícara de café preto fumegante na mão e um croissant mordido no prato à sua frente. Ela parecia mais descansada, embora o vinco de preocupação entre as sobrancelhas permanecesse fixo. James estava encostado na pia, terminando o seu próprio café, observando-a.

— A carta do Harry confirma a teoria da conexão — Natasha dizia, girando a xícara. — Se ele está mal e a Emma está mal, o estresse compartilhado deve estar afetando o sistema imunológico deles. — Mas o que me preocupa é a Segunda Tarefa, James. O lago. — "O que você vai sentir muita falta". — Se eles pegarem pessoas... se eles pegarem o Ron para o Harry... quem eles pegam para o Cedric? Para o Krum? Para a Fleur? — Eu preciso mapear os relacionamentos de todos os campeões. Preciso saber quem são os alvos em potencial para garantir a segurança do perímetro subaquático.

James assentiu, cruzando os braços. — Você acha que o Dumbledore deixaria algo acontecer?

— Eu acho que o Dumbledore gosta de testar o caráter das pessoas colocando-as em perigo mortal — Natasha respondeu, seca. — Ele vê o quadro geral. Eu vejo as baixas civis. — Eu não vou deixar a Emma chegar perto daquela água, James. Nem que eu tenha que trancá-la na...

O som de passos arrastados no corredor interrompeu a estratégia de defesa. Natasha parou de falar e olhou para a entrada da cozinha.

Emma apareceu. Ela estava um caos adorável: o cabelo ruivo era um ninho de pássaros embaraçado, o pijama de flanela estava torto e ela arrastava o cobertor da sala como se fosse a cauda de um vestido real. Ela parou no arco da porta, apoiando o ombro na parede com uma fraqueza teatral. Os olhos verdes semicerrados fuzilaram Natasha.

— Eu não acredito — Emma disse. A voz estava rouca, carregada de um desdém dramático e sofrido.

Natasha ergueu uma sobrancelha, levando a xícara aos lábios. — Bom dia, flor do dia. Dormiu bem?

— Bom dia? — Emma repetiu, incrédula. — Eu acordo sozinha... no frio... abandonada no sofá como uma meia velha... achando que a minha hora final tinha chegado... Ela apontou um dedo trêmulo para a mãe. — E você está aqui. Na cozinha. Comendo croissant. Conversando com o seu noivo. Rindo! — Eu estou lá, morrendo de uma doença tropical causada por chocolate, e a minha própria mãe está se divertindo com carboidratos!

James teve que virar o rosto para a pia para esconder o sorriso. A capacidade de drama de Emma rivalizava com a de Loki.

Natasha, no entanto, não conseguiu segurar. Ela soltou uma risada baixa, balançando a cabeça. — "Doença tropical", Emma? Sério? Você teve uma indigestão em Londres, no inverno. — E eu não te abandonei. Eu vim buscar sustento para continuar cuidando de você. Mães também precisam comer.

— Você me deixou — Emma choramingou, caminhando até eles com o cobertor arrastando. — Eu acordei e não tinha ninguém fazendo carinho na minha cabeça. Foi traumático.

Ela chegou perto da banqueta de Natasha. Sem pedir licença, sem hesitar, Emma se enfiou no espaço entre Natasha e o balcão. Natasha suspirou, mas o sorriso carinhoso estava lá. Ela afastou a cadeira para trás e abriu os braços. Emma subiu no colo da mãe. Mesmo com quatorze anos, mesmo sendo quase do tamanho de Natasha, ela se aninhou ali, encolhendo as pernas, apoiando a cabeça no ombro de Natasha e puxando o cobertor sobre as duas.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora