Capítulo 134

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Suíte Principal. Cobertura de Natasha. 20:30.

O chuveiro foi desligado. Natasha ficou parada no box de vidro por um momento, a água pingando de seu cabelo molhado, misturando-se com as lágrimas de raiva que ela se recusou a deixar Bucky ver. Ela esfregou a pele com a toalha com força excessiva, até ficar vermelha. Ela queria tirar o cheiro de fuligem, o cheiro de uísque e, principalmente, a sensação humilhante da rejeição.

Ela saiu do banheiro envolta em vapor. O chão, onde o vidro do perfume tinha se estilhaçado minutos antes, estava limpo. Impecável. Bucky tinha varrido enquanto ela estava no banho. Claro que tinha. Porque ele era perfeito. Porque ele era o "cuidador" responsável, o homem que limpava a bagunça da namorada instável e bêbada. Aquilo a irritou ainda mais.

Ela não escolheu uma camisola de seda ou algo que pudesse ser interpretado como um convite. Ela vestiu uma calça de moletom cinza larga e uma camiseta preta velha da SHIELD, desbotada e com um furo na gola. Era sua armadura de "não se aproxime".

Natasha caminhou até a cama. Bucky não estava no quarto. Ela ouvia o som da água na cozinha lá embaixo — provavelmente lavando a louça ou bebendo aquela água que ele tanto queria que ela bebesse.

Ela se deitou. Mas não no meio da cama, onde eles costumavam dormir entrelaçados. Ela se deitou na borda esquerda, o mais longe possível do centro. Ela puxou o edredom até o queixo, virou-se de costas para a porta e fechou os olhos.

A mente dela, agora começando a sofrer o efeito rebote do álcool saindo do sistema, girava em uma espiral escura. Não era só o sexo. O sexo era apenas o sintoma. O problema era a inutilidade. Ela passou a vida sendo uma arma. Depois, uma heroína. Depois, uma líder. Agora, o que ela era? Uma paciente. Uma vítima em recuperação. Uma boneca de vidro que todos tinham medo de quebrar.

Ele não me quer, a voz insidiosa sussurrou em sua cabeça. Ele olha para mim e vê a Cadeira. Ele vê a baba, o tremor, o olhar vazio. Como ele pode sentir desejo por alguém que ele viu tão destruída? A insegurança era fria e cortante. Talvez a atração tivesse morrido no momento em que ele teve que limpar o sangue de Dreykov do rosto dela. Talvez agora ele sentisse apenas pena. E obrigação. E Natasha Romanoff preferia a morte à pena.

A porta do quarto se abriu suavemente. Ela não se mexeu. Controlou a respiração para parecer que estava dormindo, embora cada músculo de seu corpo estivesse tenso como uma corda de violino.

Passos leves no tapete. O som da roupa dele sendo colocada na cadeira. O colchão afundou do outro lado. O peso de Bucky se acomodou na cama.

Normalmente, esse era o momento em que ele deslizava para o lado dela. O braço de metal passava por cima da cintura dela, pesado e frio, a âncora que a mantinha segura. O nariz dele tocava a nuca dela. Ele sussurrava "boa noite, boneca".

Mas hoje, não. Bucky permaneceu no lado dele. Havia meio metro de espaço vazio entre os dois. Um abismo de lençóis frios e palavras não ditas. Ele sabia que ela estava acordada. Ele conhecia a respiração dela melhor do que a dele própria. E ele sabia que ela estava furiosa.

— Nat... — ele tentou, a voz baixa, testando o terreno.

Natasha não respondeu. Ela nem piscou.

Bucky suspirou. Um suspiro longo, cansado, de quem carregava o peso do mundo e da teimosia dela nas costas. Ele não tentou tocar nela. Ele respeitou a barreira que ela tinha erguido. Ele apagou o abajur, mergulhando o quarto na escuridão.

— Eu te amo — ele disse para as costas dela. — Mesmo quando você é uma idiota teimosa.

Natasha mordeu a parte interna da bochecha para não responder. Se você me ama, pare de me tratar como se eu fosse feita de açúcar, ela pensou, mas não disse.

Daughter of No OneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora