Corredores de Hogwarts. 14 de Fevereiro.
Se havia algo mais assustador do que o Basilisco à solta, era Gilderoy Lockhart com orçamento ilimitado para decorações românticas.
As paredes do corredor estavam cobertas de flores rosa-choque enormes e pegajosas. Confetes em formato de coração caíam do teto sem parar. E, para o horror absoluto do corpo discente, Lockhart havia contratado uma tropa de anões mal-humorados, vestidos com asas douradas e tutus, para entregar "cantadas" musicais.
— Isso é uma violação dos Direitos Humanos — Emma resmungou, limpando um confete que tinha caído dentro do seu suco de abóbora no café da manhã. — Se um desses anões tentar me entregar um cartão, eu juro que uso um golpe de judô que a Nat me ensinou.
— Acho que você está segura — Rony disse de boca cheia. — Mas o Harry...
Harry estava tentando se tornar invisível na mesa da Grifinória. Ele tinha passado a manhã fugindo de anões.
— Não tem graça — Harry disse, tenso. — A Ginny está me olhando estranho o dia todo. Ela parece...
— Doente? — Emma completou, olhando para a mesa onde a irmã de Rony estava sentada.
Ginny Weasley estava mais pálida do que nunca. Ela não parecia estar no clima festivo. Seus olhos estavam fixos em Harry, mas não com a adoração habitual. Havia medo. Pânico contido.
O dia seguiu caótico. No intervalo entre as aulas, Harry, Rony e Emma estavam tentando atravessar o saguão lotado quando um anão particularmente robusto e carrancudo abriu caminho pela multidão com os cotovelos.
— EI, VOCÊ! 'ARRY POTTER! — o anão gritou, parecendo um buldogue de asas.
— Não, não, não... — Harry tentou recuar, mas a mochila pesada o atrapalhou.
O anão avançou como um linebacker de futebol americano e agarrou Harry pelos joelhos, derrubando-o no chão com um baque surdo.
— Eu tenho uma mensagem musical para entregar! — o anão sentou-se nos tornozelos de Harry, ignorando os protestos.
— Me solta! — Harry gritou, tentando chutar.
A mochila de Harry se rasgou. Livros, tinteiros e pergaminhos voaram pelo chão de pedra. O tinteiro se espatifou, manchando tudo de vermelho-vivo (a cor da tinta favorita de Lockhart naquele dia).
E no meio da bagunça, um pequeno livro preto deslizou pelo chão. O diário de Tom Riddle.
Emma, que tinha sido empurrada para o lado pela multidão que se formava, viu o diário deslizar. Ela sentiu aquela pontada familiar na cabeça, o zumbido sibilante de Riddle.
Mas ela viu outra coisa. Draco Malfoy, que estava passando, parou e pegou o diário antes que Harry pudesse alcançá-lo.
— O que temos aqui? — Malfoy zombou, segurando o livro preto. — O Potter tem um diário? "Querido Diário, hoje eu fui patético..."
— Devolve isso, Malfoy! — Emma gritou, avançando, a mão indo para a varinha.
— Calma, Potterzinha — Malfoy sorriu com desdém.
Foi então que Ginny Weasley apareceu na roda de alunos. Ela viu o diário na mão de Malfoy. A reação dela não foi de curiosidade. Foi de terror puro. Os olhos dela se arregalaram tanto que pareciam que iam saltar do rosto. Ela levou as mãos à boca, sufocando um grito, e começou a tremer violentamente.
— Ginny? — Emma notou, franzindo a testa. Por que ela está com tanto medo de um livro que ela nunca viu?
Harry aproveitou a distração de Malfoy com o anão (que começou a cantar a música horrível sobre "olhos verdes como sapo em conserva") e arrancou o diário da mão do sonserino com um puxão violento.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
