A manhã chegou cinzenta e chuvosa, lavando as ruas de Londres, mas não a tensão que pairava sobre a cobertura. Natasha acordou sozinha na cama. James já tinha saído para a corrida matinal — ou talvez para socar sacos de areia na academia do MI6 até que a culpa de 1996 saísse dos seus músculos.
Ela se levantou, caminhando até o banheiro como um robô. Diante do espelho, enquanto escovava os dentes, ela olhou para os próprios olhos. Havia olheiras leves, mas nada que um corretivo caro não escondesse. A mulher que encarou Sirius Black e perdoou o Soldado Invernal na noite anterior foi arquivada. Hoje, ela precisava ser a Diretora.
Ela se arrumou com a precisão de quem veste uma armadura. Saia lápis preta, blusa de seda creme, scarpins de salto agulha que poderiam perfurar uma jugular. Cabelo preso num coque impecável. Ela estava procrastinando aquele dia de escritório há semanas. Pilhas de relatórios orçamentários, aprovações de vistos diplomáticos e reuniões com o RH aguardavam. O tédio burocrático era o único inimigo que a Viúva Negra temia.
Sede do MI6. Escritório da Diretora. 11:30.
Natasha estava na terceira xícara de café, lendo um relatório sobre despesas com clips de papel, sentindo sua alma deixar o corpo lentamente, quando o interfone tocou.
— Diretora? — a voz de Moneypenny soou tensa. — Temos uma visita não agendada. Protocolo Mágico.
Natasha franziu a testa. Ela largou a caneta. Antes que ela pudesse autorizar, a lareira decorativa no canto da sala (que estava desconectada da rede de gás e adaptada para a Rede de Flu) explodiu em chamas verdes.
Um homem baixo, rechonchudo, usando um terno risca de giz verde-limão e segurando um chapéu-coco, saiu das chamas, sacudindo cinzas no tapete persa de Natasha. Cornelius Fudge. O Ministro da Magia.
Natasha não se levantou. Ela recostou-se na cadeira de couro, entrelaçando os dedos sobre a mesa, o rosto uma máscara de gelo. — Ministro Fudge. A etiqueta bruxa não inclui bater na porta?
— Assuntos urgentes, Sra. Romanoff. Assuntos urgentes — Fudge disse, nervoso, mas com um brilho de arrogância nos olhos. Ele não se sentou. Ele caminhou até a mesa dela, invadindo seu espaço. — Precisamos conversar sobre a sua... movimentação.
— Minha movimentação? — Natasha arqueou uma sobrancelha perfeitamente desenhada.
— Nós temos rastreadores em todos os envolvidos no Caso Black, Diretora — Fudge disse, estufando o peito. — Para sua proteção, é claro.
O sangue de Natasha gelou, e depois ferveu. Eles a estavam rastreando. O Ministério estava vigiando a Diretora do MI6. Era uma violação de soberania, uma violação de privacidade e um ato de guerra diplomática.
— E os meus aurores me informaram — Fudge continuou, o tom acusatório — que ontem à noite, perto da meia-noite, a senhora esteve em uma localização muito... peculiar. Ele apoiou as mãos na mesa dela. — O que a Diretora da Inteligência Britânica estava fazendo sozinha em uma caverna isolada nas Falésias de Dover?
O tempo parou. Natasha sentiu o ódio subir pela garganta como bile. Eles sabiam onde ela estava. Se eles tivessem chegado cinco minutos antes... teriam pego Sirius. Teriam pego James. Ela queria pular por cima da mesa e arrancar a língua dele.
Mas Natasha Romanoff foi criada na Sala Vermelha. Mentir não era uma escolha; era respiração. O rosto dela não mudou um milímetro. O batimento cardíaco permaneceu estável. Ela soltou uma risada curta, seca e condescendente.
— Ah, Ministro. — Ela balançou a cabeça, como se estivesse lidando com uma criança intrometida. — Vocês bruxos e seus "rastreadores". Vocês veem o "onde", mas nunca entendem o "porquê".
VOCÊ ESTÁ LENDO
Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
