Capitulo 111

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Lupin, pálido e com olheiras profundas, abaixou a varinha, mas manteve o corpo entre Harry e Sirius Black. — Você não está ouvindo, Harry. Eu não sabia que Sirius era inocente até ver o Mapa esta noite. O Mapa nunca mente. Peter Pettigrew está vivo. E ele está naquela sala.

— ELE ESTÁ MENTINDO! — Hermione gritou, puxando Harry e Emma para trás, apontando o dedo trêmulo para Lupin. — Não confiem nele! Ele tem ajudado o Black a entrar no castelo! E ele também quer nos matar! Ele é um lobisomem!

Um silêncio chocado caiu sobre o quarto. Ron, no chão segurando a perna quebrada, arregalou os olhos de terror. Lupin sorriu, um sorriso cansado e triste. — Não exatamente nos padrões habituais de Hermione Granger. Eu não quero matar vocês. Mas eu sou, de fato, um lobisomem.

— O fato de ele ter um problema peludo uma vez por mês é irrelevante agora, Hermione — Natasha disse, a voz calma cortando o pânico. — O que importa é que ele está certo.

Harry olhou para Natasha, traído. — Mãe? Você... você sabia? Você está do lado deles? Eles mataram meus pais! Eles mataram a Lily e o James!

Sirius Black, que estava apoiado na parede como um espectro faminto, soltou um som que era meio risada, meio soluço. — Matar? — ele grasnou. — Eu teria morrido por eles! Eu morri por eles, de certa forma!

Ele avançou para Ron. O movimento foi brusco, insano. — Me dê o rato! — Sirius rosnou, os olhos fundos queimando com uma obsessão maníaca. — Me dê ele agora!

— Fica longe dele! — Harry se lançou para frente, bloqueando o caminho de Sirius. — O que você tem a ver com o rato do Ron?

— Tudo! — Sirius gritou, a saliva voando. — Aquele animal viveu mais do que devia! Ele dorme no mesmo dormitório que você! Ele ouve seus segredos! E ele está faltando um dedo, não está?

— Ele perdeu numa briga com outro rato! — Ron defendeu, apertando Perebas contra o peito sujo de sangue. O rato guinchava desesperadamente, tentando fugir, arranhando a pele de Ron.

— Ele cortou o dedo! — Sirius berrou, a paciência explodindo. — Ele cortou para forjar a própria morte antes de explodir a rua!

— Você é louco! — Harry gritou de volta. — Você que matou aquelas pessoas! Você que foi para Azkaban!

Foi o estopim. A menção da prisão quebrou algo dentro de Sirius. O rosto dele se contorceu. Doze anos de silêncio, de frio, de gritos de Dementadores ecoando em sua mente, tudo veio à tona. Ele avançou para Harry, não para machucar, mas para ser ouvido. Ele agarrou os ombros de Harry, sacudindo-o.

EU FIZ A MINHA ESPERA! — Sirius rugiu, a voz saindo das entranhas, ecoando nas paredes podres da Casa dos Gritos. — DOZE ANOS! EM AZKABAN!

O grito foi visceral. Foi a dor pura destilada em som. Harry paralisou, chocado pela intensidade da agonia nos olhos do homem.

Emma, que estava ao lado de Harry, observava tudo. Ao contrário do irmão, que reagia com o coração, Emma reagia com a mente. Ela olhou para Sirius. Viu o desespero. Viu a verdade na loucura. E então ela olhou para o rato. Perebas não estava agindo como um rato assustado. Ele estava agindo como um prisioneiro tentando fugir da execução. Ele olhava para a porta. Ele olhava para a janela. Havia inteligência naqueles olhos de conta. Inteligência humana e covarde.

Emma levantou a varinha. — Prove — ela disse. A voz dela era gelo, cortando o fogo da discussão.

Todos olharam para ela. Emma deu um passo em direção a Ron. — Se ele é um rato, nada vai acontecer. Mas se ele é um homem... — Emma olhou para Natasha. — Mãe?

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora