Sede do MI6 (Vauxhall Cross). Nível Ômega. 28 de Agosto. 16:45.
O ar condicionado da "Colmeia" — a sala de operações especiais — estava ajustado para 18 graus, mas Natasha sentia o calor da raiva subindo pelo pescoço como uma febre.
Ela estava de pé atrás de sua mesa, as mãos espalmadas sobre o vidro temperado, os nós dos dedos brancos de tanta força. Na parede de telas atrás dela, imagens de satélite de uma praça em Praga mostravam o caos: viaturas de polícia, fumaça e um corpo coberto por um lençol térmico prateado.
Na frente dela, sentado com uma arrogância que beirava o suicídio, estava o Agente 004. Nome: Sebastian Hollis. Especialidade: Demolição e Assassinato Tático. Estado atual: Prestes a ter a carreira obliterada.
— Você tinha uma ordem direta, 004 — Natasha disse. A voz dela não era um grito. Era um sussurro letal, muito mais assustador do que qualquer berro. — A ordem era Vigilância e Extração.
Hollis deu de ombros, limpando uma mancha de fuligem da manga de seu terno caro. — O alvo me viu, Diretora. O elemento surpresa foi perdido. Eu tomei uma decisão executiva. O sujeito está morto. A ameaça foi neutralizada. Qual é o problema?
— O problema — Natasha caminhou ao redor da mesa, o salto agulha estalando no piso como tiros — é que o "sujeito" era a nossa única ligação com a rota de contrabando de vibranium na Europa Oriental. Ele era um ativo de inteligência, Hollis, não um alvo de tiro ao alvo!
Ela parou na frente dele, inclinando-se até ficar cara a cara. — E você não só o matou. Você explodiu o carro dele no meio da Praça da Cidade Velha ao meio-dia!
— Foi uma bomba limpa — Hollis defendeu-se, irritado. — Baixo raio de explosão. Sem baixas civis.
Natasha riu. Foi um som frio, sem humor. Ela pegou um tablet da mesa e jogou no colo dele. — Sem baixas? Olhe a foto 3.
Hollis olhou. Uma turista. Ferida por estilhaços de vidro da vitrine de uma loja que explodiu com o impacto. Sangue no rosto. — Dano colateral mínimo — ele murmurou, insensível.
Aquilo foi a gota d'água. A Viúva Negra assumiu o controle.
Num movimento rápido demais para Hollis acompanhar, Natasha agarrou a gravata dele e puxou, forçando-o a se levantar e bater as costas contra a parede de vidro da sala. Hollis tentou reagir, levar a mão à arma, mas Natasha já tinha travado o pulso dele com uma mão e pressionava o antebraço contra a traqueia dele com a outra.
— Escute bem, seu cowboy de merda — ela sibilou, os olhos verdes queimando com uma fúria gelada. — O "duplo zero" no seu codinome é uma licença para matar, não uma licença para ser estúpido. Você expôs a operação. Você feriu um civil. E você destruiu seis meses de trabalho de inteligência porque estava com o dedo coçando no gatilho.
Hollis engasgou, o rosto ficando vermelho. Ele viu nos olhos dela algo que ele nunca tinha visto em M ou em qualquer outro burocrata: ele viu a assassina que tinha escrito o livro que ele tentava ler.
Natasha o soltou com um empurrão de desprezo. Ele caiu na cadeira, tossindo, massageando o pescoço.
Ela caminhou de volta para a mesa e apertou um botão no console. — Segurança.
— Sim, Diretora? — A voz no interfone respondeu.
— Acompanhem o Sr. Hollis até a saída. Retenham a credencial, a arma e o passaporte diplomático.
Hollis arregalou os olhos, levantando-se. — Você não pode fazer isso! Eu sou um 00! Eu tenho imunidade! Eu vou falar com o Mallory!
— Mallory colocou você sob o meu comando, Hollis — Natasha disse, voltando a olhar para os monitores, ignorando a existência dele. — Você está suspenso. Status revogado. Você vai passar os próximos seis meses arquivando relatórios no subsolo do arquivo morto em Croydon. Se eu vir o seu rosto no campo antes de 2027, eu mesma te coloco numa lista de alvos.
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Daughter of No One
FanfictionHarry e Emma Potter cresceram acreditando que eram normais, insignificantes e indesejados pelos tios que os criaram. Sob a escada da Rua dos Alfeneiros, n.º 4, eles dividiam o escuro, a fome e o silêncio, sem saber que seus nomes eram lendas em um m...
