Capitulo 19

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Nat: eu não acho que seja um boa ideia Sharon estar treinando ela
A Toca, Devon. Julho de 2012.
O café da manhã na casa dos Weasley era sempre um evento caótico e barulhento, mas naquela manhã de julho, havia uma eletricidade diferente no ar.
Harry e Emma estavam sentados à mesa de madeira esfregada, espremidos entre Ron e os gêmeos, devorando torradas com geleia de abóbora. Embora não fosse o aniversário deles ainda — faltavam algumas semanas para o dia 31 —, a Sra. Weasley parecia ansiosa, olhando para a janela a cada cinco minutos.
— O que foi, mãe? — perguntou Ron, com a boca cheia. — Está esperando o Ministro da Magia?
— Coma de boca fechada, Ronald — repreendeu Molly, mas sorrindo. — Estou esperando o correio. Hoje é o dia das cartas.
Como se fosse um sinal, um vulto enorme bloqueou a luz do sol da janela da cozinha. Não era uma coruja. Eram cinco. E logo atrás delas, algo muito maior vinha caminhando pelo jardim, fazendo o chão tremer levemente.
Alguém bateu na porta. Não foi uma batida normal. A porta inteira estremeceu nas dobradiças, como se um urso estivesse pedindo licença.
— Pelas barbas de Merlin! Ele chegou! — Molly limpou as mãos no avental e correu para abrir.
Quando a porta se abriu, Harry e Emma arregalaram os olhos.
O homem que estava na soleira era gigantesco. Ele tinha pelo menos duas vezes a altura de um homem normal e cinco vezes a largura. Cabelos e barba negros, longos e emaranhados, escondiam a maior parte de seu rosto, exceto por dois olhos que brilhavam como besouros negros e gentis.
— Rubeus! — saudou Molly. — Entre, entre! Cuidado com a cabeça!
O gigante teve que se curvar quase em dois para passar pela porta. Ele ocupou metade da cozinha instantaneamente.
— Bom dia, Molly — disse ele, com uma voz que parecia um trovão abafado. — Desculpe a sujeira das botas. Vim trazer a papelada oficial. Dumbledore achou melhor eu entregar em mãos, já que... bem, já que eles não sabem de tudo ainda.
Ele se virou para as crianças. Seus olhos caíram sobre Harry e depois sobre Emma. O sorriso dele sumiu sob a barba, substituído por uma emoção úmida.
— Olhe para vocês — disse o gigante, fungando. — Harry... você é a cara do seu pai. Mas tem os olhos da Lilian. E você, pequena Emma... você é a Lilian todinha, só que com o queixo do James.
— Quem é você? — perguntou Harry, maravilhado, sem sentir medo daquele gigante gentil.
O homem estufou o peito.
— Rubeus Hagrid. Guardião das Chaves e das Terras de Hogwarts.
Hagrid enfiou a mão num dos muitos bolsos de seu casaco de pele de toupeira e tirou dois envelopes de pergaminho amarelado, pesados, selados com cera vermelha e o brasão de Hogwarts (um leão, uma águia, um texugo e uma cobra).
— Harry — disse ele, entregando o primeiro para o menino.
Harry leu o endereço em tinta verde esmeralda:
Sr. H. Potter
O Quarto Laranja
A Toca
— E Emma — Hagrid entregou o segundo envelope com um sorriso cúmplice, como se soubesse de um segredo maravilhoso.
Emma pegou a carta. Suas mãos tremiam levemente. Ela olhou para o endereço. E o que ela viu fez seu coração parar e depois explodir em fogos de artifício.
Não dizia Srta. E. Potter.
Dizia:
Srta. E. Potter Romanoff
O Quarto da Gina
A Toca
Emma piscou. Ela limpou os óculos imaginários (que não usava, ao contrário de Harry) e leu de novo. Romanoff.
O coração dela disparou. Romanoff era o nome da Natasha. Ela sabia disso porque tinha visto no crachá dela na S.H.I.E.L.D. e na assinatura da carta que recebera.
— Sr. Hagrid? — chamou Emma, a voz pequena.
— Sim, pequena?
— Acho que... acho que tem um erro na minha carta. — Ela virou o envelope para ele, apontando para o nome. — Aqui diz "Romanoff". Mas meu nome é Potter. Romanoff é... é o nome de uma amiga minha.
Hagrid olhou para o envelope. Por um segundo, ele pareceu entrar em pânico. Ele coçou a barba, desviou o olhar para o teto e começou a suar frio.
— Ah! É... bem... — Hagrid gaguejou, ficando vermelho por baixo da barba. — Sabe como são essas penas mágicas, não sabe? Velhas! Muito velhas! Às vezes elas... er... confundem as coisas! Misturam nomes de pessoas que a gente gosta!
— Elas misturam nomes? — Emma perguntou, cética.
— O tempo todo! — mentiu Hagrid, péssimo na arte de enganar. — Semana passada saiu uma carta para um tal de Neville Longbottom que dizia "Neville Perdedor de Sapos". As penas têm personalidade, sabe? Deve ser só um erro de caligrafia mágica. Não ligue pra isso! O que importa é o que tem dentro!
Ele empurrou a carta suavemente de volta para ela, evitando o olhar inquisidor da menina.
— Abra! Veja a lista de livros!
Emma olhou para o envelope mais uma vez. Um erro. Fazia sentido. Por que ela teria o nome da Natasha legalmente? Natasha era uma espiã, não sua parente. Devia ser porque Emma pensava nela o tempo todo e a magia captou isso.
Ainda assim, ver aquele nome ali, Potter Romanoff, fez algo quente se espalhar pelo peito dela. Mesmo que fosse um erro, era um erro bonito.
— Tá bom — disse Emma, decidindo não pressionar o gigante nervoso. Ela abriu a carta, mas guardou o envelope com cuidado no bolso, decidida a nunca jogá-lo fora.
No topo da página, havia o brasão colorido: Leão, Águia, Texugo e Cobra circulando uma grande letra "H".
Emma leu em voz alta, sua voz falhando um pouco:

Daughter of No OneOnde histórias criam vida. Descubra agora